quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Leia a íntegra do discurso do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante solenidade de despedida com servidores do governo e do Palácio do Planalto.

Por Redação
[03 de janeiro de 2011 - 10h50]
Não era, não era prudente e não é prudente eu falar, porque isso aqui está tendo um tom de despedida, e se despedir nunca é bom. Você trabalha onde, afinal de contas, Julinho? O Márcio também, ô... você, ô, Cléber. Você... Quem mantém o meu preparo físico assim é o Márcio, não é você. Vamos tirar uma foto com o Márcio aqui.

Eu vou dizer algumas palavras, eu vou fazer o esforço que o Gonçalves fez ontem, para não chorar. O Gonçalves se engasgou umas duzentas vezes, mas isso porque me parece que, na lógica do Exército, general que é general não chora. Aqui na minha lógica, é o seguinte: chora quem pode chorar, quem tem vontade de chorar e quem tem motivo para chorar.

Então, eu vou dizer para vocês uma coisa que... eu estou sem óculos aqui, ficou em cima da mesa. Depois dos 40 [anos] qualquer óculos serve, gente. Qualquer um, qualquer óculos. Gilberto Carvalho... está aqui. Eu quero ver, na segunda-feira, quando não tiver ajudante de ordens, quem virá trazer os óculos: Dona Marisa, pega meus óculos? "Vai pegar você!" Ô meu filho, pega um cafezinho para mim? "Não sou seu empregado!" E a vida continua, Guido.

Bem, eu vou ler para vocês, aqui, uma coisa que foi lida por mim em um programa de governo lançado aqui em Brasília, no dia 23 de julho de 2002. Vamos ver o que nós pensávamos no dia 23 de julho de 2002, quando nós estávamos lançando um caderninho bonito, que eu não sei se está por aí, com um garotinho, chamado Programa de Governo, que os nossos adversários tanto criticaram. Posso dizer, sem medo de errar, sem medo de errar, sem ler os dois programas, que eu vou passar para a história como o presidente da República que fez muito mais do que aquilo que estava no Programa de Governo de 2002 e no Programa de Governo de 2006.

Vai ser mais ou menos que nem a UNE, Fernando Haddad. A UNE teve que chegar para nós em Caruaru, em um ato público, e reconhecer que pela primeira vez na história do Brasil a UNE não tinha mais o que reivindicar, porque nós tínhamos atendido a todas as reivindicações da UNE.

Mas veja o que nós dizíamos: "Sempre tive a firme convicção de que a principal riqueza de uma nação é o seu povo. Por isso, não é difícil avaliar o sucesso ou o fracasso de um governo. Basta olhar para os salários e a renda do povo, ver se os índices de desemprego e desigualdade diminuíram e se a educação ficou de melhor qualidade. Governo bom é o que conduz o país ao crescimento e ao encontro da prosperidade. Nosso Programa de Governo tem como preocupação central apresentar mudanças de fundo para o nosso país. Não como um pacote fechado, mas aberto ao debate e às novas contribuições. É impossível aceitar a ideia de uma nova década perdida, em que o governo diz que a economia está sólida, enquanto o povo vai mal. Esse é o debate que queremos fazer com toda a nação, pois temos certeza de que podemos mudar e melhorar o Brasil. Com os pés no chão e os olhos no futuro, vamos arregaçar as mangas desde o primeiro instante e realizar um novo contrato social que coloque o país nos trilhos do desenvolvimento. Essa é a única maneira de construir um Brasil decente onde todos, realmente todos tenham a dignidade que tanto queremos. 23 de julho de 2002, assinado: Luiz Inácio".

 Era esse o programa. Era esse o programa, e vocês vão perceber que nunca antes na história do país... Eu gosto de falar "nunca antes" porque eu sei que tem adversários e gente que não gosta, que sofre quando eu falo. Como eles pensam que eu sofro quando eles falam mal de mim, então eu retribuo dizendo que nunca antes na história do país houve, dentre deste Palácio, nesta sala, a quantidade de movimentos sociais participando, falando, propondo e decidindo políticas que o governo brasileiro tinha que executar. Foram 73 conferências nacionais, algumas das quais, mais de 400 mil pessoas participavam antes de chegar aqui neste plenário ou em qualquer outro lugar do Brasil. Numa demonstração de que esse é um legado que não poderá ser mudado tão cedo: que é não ter medo de ouvir o povo, não ter medo de deixar o povo participar, acabar com essa maluquice de o povo só ser bom na época da eleição, em que todo mundo anda de carro aberto, dando a mão, rindo que nem se tivesse ganhado na loteria sozinho; e depois que ganha as eleições, passa anos sem ter um convívio com o povo, governa para meia dúzia de ricos e esquece da maioria do povo, que são aqueles que realmente são a razão de ser de a gente ganhar uma eleição e governar este país, uma cidade ou um estado.

Eu penso que o Brasil mudou. O Brasil mudou na relação com a sociedade. Nunca os humildes foram tratados com tanta deferência como foram tratados. E, certamente, continuarão a ser pela nossa companheira Dilma. Nunca os estudantes e os professores foram tratados com o respeito que foram tratados. Eu falo isso porque demonstra o grau de maturidade que o Brasil alcançou. Nenhum presidente da República tinha tido coragem de fazer reuniões com reitores; quando muito, se reuniam com um. Mesmo o ministro da Educação sendo reitor, parecia que tinha uma doença do carrapato, que o ministro não se juntava com dois reitores; de vez em quando, atendia um. Vocês estão lembrados de que neste país nem prefeito era recebido. Vocês estão lembrados de que Marcha de Prefeitos... o que esperava os prefeitos aqui, mesmo sendo dos partidos de quem governava, eram cachorros policiais, e policiais. Nós fomos a todas às Marchas dos Prefeitos, a todas, sem distinção. Só não fui na de 2006 porque eles transformaram a Marcha em um debate político da campanha presidencial, e eu não fui. Mas fomos, e posso olhar na cara de qualquer pessoa, de qualquer prefeito, seja ele do DEM, seja ele do PT ou do PSDB, seja do PMDB ou do PC do B. Eu duvido que, em algum momento da história, eles foram tratados com a dignidade que o nosso governo os tratou, da forma mais republicana. Era tão republicano o tratamento, que o PT ficava com raiva do tratamento que a gente dava aos outros partidos políticos. Muitas vezes, eu era acusado de que gostava mais dos outros do que dos companheiros do PT. E, assim, eu penso que nós conseguimos construir alguma coisa nova.

Veja, eu tinha vontade de governar o Brasil. Em [19]82, eu participei de um debate, eu era candidato a governador em São Paulo, e eu fiquei em quarto lugar, não é isso, Padilha? Quarto lugar. Eu pensei que eu ia ganhar, eu não acreditava em pesquisas. Nós fizemos o maior comício que alguém já fez no Pacaembu. Eu saí de lá convencido de que a eleição estava no papo. Aí, saiu uma pesquisa do Ibope, publicada pelo jornal Estadão, em que eu ia ter 10%. Eu falei: Está mentido. Nós vamos ganhar. Depois da apuração, eu tive exatamente 10%. Eu estava desconfiado de que eles já tinham meus votos lá, guardados, para poder... Mas, de qualquer forma, naquele debate era o Montoro, o Reinaldo de Barros, o Jânio Quadros, eu, e o Rogê Ferreira, do PDT. Eu não fui o último porque o Rogê teve menos votos do que eu, mas eu tive 1,250 milhão votos. Eu achei que eu estava arrasado. Eu, Jorge Hage, saí daquela eleição achando que tinha acabado com a minha vida, isso em [19]82. Em [19]85, eu fui a Cuba e, em uma conversa com o presidente Fidel Castro, eu estava dizendo para ele que eu tinha desanimado porque eu tinha perdido uma eleição. O Fidel olhou para mim e falou o seguinte: "Ô, Lula, em que lugar do Planeta um operário metalúrgico teve 1,250 milhão de votos? Em que lugar? Não existe nenhum lugar do mundo que um metalúrgico, operário de fábrica tenha tido 1,250 milhão de votos. Que história de perder é essa, Lula?" E aí eu saí de lá convencido de que eu não tinha perdido, que eu tinha fincado uma estaca, uma estaca cheia de consciência, uma estaca cheia de ideias, uma estaca cheia de motivação que foi se multiplicando, se multiplicando, se multiplicando.

E as coisas contra o PT sempre foram muito difíceis. Vocês não sabem, mas o primeiro comício de eleições diretas neste país foi o PT que fez, no Pacaembu, no Pacaembu. Eu não sei qual foi a data de dezembro de [19]83, mas eu lembro que foi no dia em que o Fernando Henrique Cardoso foi ao Pacaembu anunciar a morte do Teotônio Vilela. E o Montoro era governador de São Paulo, foi convidado para o ato pelas Diretas e não foi. Tinha uma corrida no Jockey Club, acho que ele foi ao Jockey, uma festa lá, um negócio daqueles, que é melhor do que participar de ato público. E o Fernando Henrique Cardoso foi lá, até saiu chateado porque foi vaiado. Naquele tempo, petista vaiava até o Hino Nacional. A gente, para não ser vaiado, a gente falava: "Olha, eu sou de vocês, não me vaiem, não".

Então, foi nesse dia que nós começamos a campanha das Diretas. Até hoje, quando a grande imprensa fala da eleição direta ou conta história das Diretas, esse ato não é lembrado. Saiu, me parece que apenas numa revista, parece que a IstoÉ muito tempo atrás publicou uma notinha de que tinha sido feito esse ato, pelo PT.

Então, nós sempre tivemos muita dificuldade. E naquele debate para campanha de governador, perguntaram para mim: "Ô Lula, por que você quer ser candidato?". Eu disse: Porque eu quero ver se eu tenho competência de fazer aquilo que eu reivindico para os outros. Eu tinha convicção, eu não conhecia pessoalmente todo mundo, mas eu via pela televisão os presidentes da República, eu via os discursos dos presidentes da República, e eu falava: Eu posso fazer mais que eles.

Quando veio a campanha de [19]89, eu descobri uma coisa sagrada na minha vida, eu descobri que eu não conhecia o Brasil, e nenhum candidato conhece o Brasil. Normalmente, se o cara é de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, ele sai de uma cidade, vai no palanque, volta do palanque para o aeroporto. Ele não vê nem a cara do povo, ele não aprende nem os nomes das pessoas que estão em cima do palanque.

Eu falei: Eu vou conhecer este país. Se eu quiser governar este país, eu vou conhecer. Percorri 91 mil quilômetros de trem, de barco, de ônibus, Marisa e todos os filhos juntos, em todas as caravanas, cada uma demorava 14 ou 15 dias, parando em cada lugar, conversando com cada pessoa, recebendo pauta de reivindicação. E tudo aquilo, em cada lugar que a gente andava, de um ônibus... se era de ônibus, entre uma cidade e outra tinha uma palestra sobre a região, tinha uma palestra sobre a cidade. Era a universidade, era a pós-graduação que eu não tive, eu tive nas Caravanas da Cidadania para me preparar para chegar a presidente da República.
Eu penso que vocês poderão dizer - e agora sem nenhuma modéstia, com orgulho - que vocês poderão dizer que vocês participaram de um momento histórico deste país, em que a história deste país mudou, a autoestima do povo mudou, a vida do povo mudou, mesmo sabendo que ainda tem muito para fazer. Porque a gente não consegue mudar em oito anos os desmandos de 500 anos, a gente não consegue, vai precisar mais alguns anos para que a gente possa consolidar.

Mas já é motivo de orgulho vocês dizerem que participaram de um governo que, em oito anos, fez mais escolas técnicas no Brasil do que todas que foram feitas em um século de República, todas. Nós fizemos, em oito anos, uma vez e meia o que foi feito em cem anos. Embora eu e o Zé Alencar não tenhamos diploma universitário, nós vamos passar para a história como os presidentes que mais fizemos universidades neste país; que mais criamos extensões universitárias; que criamos o ProUni, que é uma das grandes revoluções na Educação neste país; que já criamos 10 mil escolas de tempo integral, com 2,2 milhões de jovens e crianças estudando e aprendendo música.

E, se Deus quiser, a Dilma vai fazer muito mais, porque o carro não está estacionado, o carro está andando. É só apertar um pouquinho o acelerador, fazer o Guido abrir um pouquinho a mão, liberar um pouco mais de dinheiro, que a coisa vai fluir com muito mais facilidade.

Então, este país vocês ajudaram a construir. Eu estava vendo aqui a apresentação do Escav [Escalão Avançado]. Vocês que estavam, a maioria, não sabem da briga que eu tinha com o Joseli por causa dos helicópteros, da briga que eu tinha com o Gonçalves por causa dos carros, da briga que eu tinha com a Iti por causa da agenda, da briga que eu tinha com várias pessoas, do Bigode, do Wagner, do Magela, da Fátima, e de tanta gente, quando eu chegava em um lugar, que tinha uma manifestação, uma. Nós não precisamos utilizar violência em nenhum ato público, em oito anos de mandato. A maior violência que a gente fez era mandar o Bigode na frente, era mandar o Magela na frente, era mandar o Wagner na frente, mandar a Fátima na frente, ou seja, mandar um grupo de companheiros que conversavam, que discutiam, que marcavam reunião.

O único ato de violência que eu vi, em um ato de que eu participei, foi em Sorocaba quando nós fomos inaugurar uma universidade. Era uma universidade provisória porque a gente estava começando a construir e a gente tinha alugado um prédio, e os estudantes de São Carlos foram a Sorocaba para não deixar a gente inaugurar a universidade. Mas não foi um ato de violência do general Gonçalves Dias, do presidente Lula não, foi um ato de violência dos catadores de papel e dos metalúrgicos, que se insurgiram contra os estudantes que não queriam deixar os filhos deles entrarem na escola. Aí, saiu uma brigazinha, quando nós chegamos estava tranquilo. E os estudantes gritavam: "Ô Lula, a repressão aqui, Lula". Eu falava: repressão de catador de papel pode, o que não pode é repressão de cima para baixo; de baixo para cima, de vez em quando, até que ela pode acontecer.

Bem, o general Gonçalves, todas as vezes que nós conversávamos: General, eu não quero que a nossa segurança oficial levante um dedo para uma pessoa. Quem tem que fazer isso é o nosso pessoal, lá embaixo, e não os nossos seguranças. E vamos terminar oito anos, eu diria, como exemplo.

É engraçado porque eu reclamava muito, e eu quero pedir desculpas a vocês porque eu reclamava dentro do avião, eu reclamava com a agenda, eu reclamava... aí, quando eu chegada no local, tinha lá um tapetinho vermelho para eu subir, tinha a maquininha de café expresso para eu tomar, tinha um microfone instalado, um copinho d’água. E eu falava: tem gente, que eu não conheço, que está fazendo isso. Eu, às vezes, estava viajando para o exterior, e parecia que só estava eu e a turma que tinha ido comigo. Aí, eu percebia que tinha mais gente estranha, porque quando eu abria a porta de manhã para sair para o evento, saía um magote de gente atrás de mim, que eu não sabia de onde tinha aparecido. Cada vez que eu descia do avião, descia um monte de gente diferente, eu falava: "Ô Poc, ô Márcio, quem é essa gente que está aí?" Eu, na verdade, na verdade, uma coisa importante: é importante que a gente não saiba quem é que está na retaguarda da gente, porque se a gente souber, a gente vai começar a querer dar palpite na vida de vocês e a gente pode atrapalhar as coisas que vocês sabem fazer tão bem.

Eu estou convencido de que se nós conseguirmos repetir no governo da companheira Dilma Rousseff a qualidade da assessoria que vocês prestaram a mim, nós não temos medo de disputar uma medalha de ouro com o Obama, com o Hu Jintao, com o Sarkozy, com Angela Merkel, com quem quiser, porque a nossa turma é mais criativa. E uma coisa, uma coisa é importante: é que a nossa turma tem sentimento. Não foram poucas as vezes - e não pensem que eu não fico olhando, porque se tem uma coisa que eu aprendi a fazer é falar olhando para todo mundo - quantas vezes eu vi pessoas com os olhos lacrimejando. O Bigode, então, já não aguentava mais, o Bigode cafungava de chorar, aquela bengala é de peso das lágrimas, de tanto que ele... Não aguentava mais.

Então, eu quero dizer para vocês, gente, o seguinte, olhem: eu consegui falar sem me emocionar, por isso que eu brinquei aqui um pouco. Dizer para vocês, olha, que eu saio daqui daqui a pouco, não é, Gilberto? Não tem mais nada, não. Eu saio daqui a pouco, vou para casa descansar. Às 6 horas da tarde, ou às 7 horas, não sei quando, eu vou dar uma passadinha na Granja do Torto para visitar a companheira Dilma, vou para casa descansar.

Amanhã, às 4 horas, passarei a faixa para a Dilma. Se ela vacilar eu saio correndo, quero ver ela correr atrás de mim na Esplanada, atrás daquela faixa. Por isso é que eu me preparei fisicamente, ela disse que parou de andar, então ela vai estar menos preparada do que eu, fisicamente.

E sairei daqui com duas convicções. Com a convicção de que cumpri com o dever e cumpri com aquilo que foi a confiança que o povo brasileiro depositou em mim, e que conseguimos fazer uma pequena... duas pequenas revoluções neste país: a primeira, o povo brasileiro provar que era possível eleger um metalúrgico, e esse metalúrgico provar que sabe governar mais do que muita gente que tinha um monte de diplomas, neste país. Segundo, eleger pela primeira vez uma mulher presidenta da República deste país. Vocês não sabem o orgulho que eu tenho disso, porque dois anos atrás, quando eu comecei a insinuar que a Dilma seria candidata, muita gente dizia: "Mas uma mulher, ela não tem experiência, Presidente, ela não participa de política, ela nunca foi deputada." Ou seja, as pessoas viam como defeito exatamente aquilo que eu via de qualidade, exatamente aquilo que eu via de qualidade. Eu não queria um deputado, eu não queria um prefeito, eu queria ela. Por quê? Porque eu tinha trabalhado com ela e eu conhecia as qualidades, a personalidade dela e a competência gerencial dela.

Então eu queria, gente, dizer para vocês o seguinte: eu acho que vocês devem dedicar à companheira Dilma o mesmo amor, o mesmo carinho e a mesma vontade que vocês tiveram no meu governo. Nós somos diferentes, temos formações diferentes, ela é mulher, eu sou homem, cada um tem o seu gênio. O que está em jogo, nessa verdade, é este país. Este país aprendeu a ter orgulho de si próprio, o nosso povo voltou a gostar da bandeira nacional, o nosso povo voltou a cantar o nosso hino nacional, o nosso povo aprendeu a ter autoestima, o nosso povo aprendeu a gostar de coisa boa, de coisa... porque durante muito tempo diziam que pobre só gostava de coisas de segunda classe, pobre só ia à feira para pegar xepa. E não! A gente aprendeu que, se a gente puder, a gente quer comer do bom e do melhor, que vestir do bom e do melhor, quer morar do bom e do melhor.

Ontem, quando eu ia chegando aqui, tinha um companheiro que trabalha com o Gabas, que ele ia viajar e não foi viajar para vir aqui me contar o seguinte: "Presidente, quando o senhor ganhou, eu era vigia, não tinha casa, não tinha nada, não tinha nem mulher. Agora, Presidente, depois de oito anos o senhor vai embora, eu casei, tenho dois filhos, tenho carro e tenho mulher". E, certamente, tem um computador lá dentro, porque já virou paixão.

Então, gente, isso eu tenho consciência de que eu só fiz, eu só fiz porque eu tinha o povo brasileiro e eu tinha a energia, a compreensão e o carinho de vocês. Por isso, muito obrigado por tudo o que vocês me ajudaram a fazer neste país.

Muito obrigado.

sábado, 1 de janeiro de 2011

TRANSCRIÇÃO NA INTEGRA DO PRIMEIRO DISCURSO DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF
Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante Compromisso Constitucional perante o Congresso Nacional
Congresso Nacional, 1º de janeiro de 2011


Senhor presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney,
Senhores chefes de Estado e de Governo que me honram com as suas presenças,
Senhor vice-presidente da República, Michel Temer,
Senhor presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia,
Senhor presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso,
Senhoras e senhores chefes das missões estrangeiras,
Senhoras e senhores ministros de Estado,
Senhoras e senhores governadores,
Senhoras e senhores senadores,
Senhoras e senhores deputados federais,
Senhoras e senhores representantes da imprensa,
Meus queridos brasileiros e brasileiras,

Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher.
Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico desta decisão.
Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde-amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação.
Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber, neste momento, uma centelha da sua imensa energia.
E sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa desta ousadia do voto popular que, após levar à Presidência um homem do povo, um trabalhador, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do país.
Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres também possam, no futuro, ser presidentas; e para que – no dia de hoje – todas as mulheres brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher.
Não venho para enaltecer a minha biografia; mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo – eu reitero – é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos!
Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que este país já viveu nos tempos recentes.
Venho para consolidar a obra transformadora do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, venho para consolidar a obra transformadora do Presidente Lula, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida e o privilégio de servir ao país, ao seu lado, nestes últimos anos.
De um presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro do país.
A maior homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu governo. Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o Presidente Lula deixa para todos nós.
Sob a sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da nossa história.
Minha missão agora é de consolidar esta passagem e avançar no caminho de uma nação geradora das mais amplas oportunidades.
Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do Presidente Lula nesses oito anos: nosso querido vice-presidente José Alencar. Que exemplo de coragem e de amor à vida nos dá este grande homem!! E que parceria fizeram o Presidente Lula e o vice-presidente José Alencar pelo Brasil e pelo nosso povo!!
Eu e o vice-presidente, Michel Temer, nos sentimos responsáveis por seguir no caminho iniciado por eles.
Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Ele sempre será, ao seu tempo, mudança e continuidade. Por isso, ao saudar os extraordinários avanços recentes, liderados pelo Presidente Lula, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e a seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje.
Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional: milhões de empregos estão sendo criados; nossa taxa de crescimento mais que dobrou e encerramos um longo período de dependência do Fundo Monetário Internacional, ao mesmo tempo em que superamos a nossa dívida externa.
Reduzimos, sobretudo, a nossa dívida social, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros milhões a alcançarem a classe média.
Mas, em um país com a complexidade do nosso, é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar sempre novas soluções.
Só assim poderemos garantir, aos que melhoraram de vida, que eles podem alcançar mais; e provar, aos que ainda lutam para sair da miséria, que eles podem, com a ajuda do governo e de toda a sociedade, mudar de vida e de patamar.
Que podemos ser, de fato, uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo – um país de classe média sólida e empreendedora.
Uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social, liberdade política e criatividade.
Queridos brasileiros e queridas brasileiras,
Para enfrentar estes grandes desafios é preciso manter os fundamentos que nos garantiram chegar até aqui.
Mas, igualmente, agregar novas ferramentas e novos valores.
Na política é tarefa indeclinável e urgente uma reforma com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública.
Para dar longevidade ao atual ciclo de crescimento é preciso garantir a estabilidade, especialmente a estabilidade de preços, e seguir eliminando as travas que ainda inibem o dinamismo da nossa economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora de nosso povo, da grande empresa até os pequenos negócios locais, do agronegócio à agricultura familiar.
É, portanto, inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte.
Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da nossa pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda a nossa atenção. Nos setores mais produtivos a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade.
O apoio aos grandes exportadores não é incompatível com o incentivo, o desenvolvimento e o apoio à agricultura familiar e ao microempreendedor. As pequenas empresas são responsáveis pela maior parcela dos empregos permanentes em nosso país. Merecerão políticas tributárias e de crédito perenes.
Valorizar o desenvolvimento regional é outro imperativo de um país continental, sustentando a vibrante economia do Nordeste, preservando e respeitando a biodiversidade da Amazônia, no Norte, dando condições à extraordinária produção agrícola do Centro-Oeste, à força industrial do Sudeste e à pujança e ao espírito de pioneirismo do Sul.
É preciso, antes de tudo, criar condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar, ainda mais e melhor, a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro.
No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Este é um passo decisivo e irrevogável, para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população no período do governo do Presidente Lula.
É, portanto, tarefa indispensável uma ação renovadora, efetiva e integrada dos governos federal, estadual e municipal, em particular nas áreas da saúde, da educação e da segurança, o que é vontade expressa das famílias e da população brasileira.
Queridos brasileiros e brasileiras,
A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.
Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do Presidente Lula. Mas ainda existe pobreza a envergonhar nosso país e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido.
Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. É este o sonho que vou perseguir!
Esta não é tarefa isolada de um governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda a nossa sociedade. Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e das pessoas de bem.
A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações.
É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e do desenvolvimento regional.
Isso significa – reitero – manter a estabilidade econômica como valor. Já faz parte, aliás, da nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que essa praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.
Continuaremos fortalecendo nossas reservas externas para garantir o equilíbrio das contas externas e bloquear e impedir a vulnerabilidade externa. Atuaremos decididamente nos fóruns multilaterais na defesa de políticas econômicas saudáveis e equilibradas, protegendo o país da concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos.
Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção.
Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público.
O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um Estado provedor de serviços básicos e de Previdência Social pública.
Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços públicos é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.
Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional.
Através do Programa de Aceleração do Crescimento e do programa Minha Casa, Minha Vida manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos Ministérios.
O PAC continuará sendo um instrumento de coesão da ação governamental e coordenação voluntária dos investimentos estruturais dos estados e municípios. Será também vetor de incentivo ao investimento privado, valorizando todas as iniciativas de constituição de fundos privados de longo prazo.
Por sua vez, os investimentos previstos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas serão concebidos de maneira a dar ganhos permanentes de qualidade de vida, em todas as regiões envolvidas.
Esse princípio vai reger também nossa política de transporte aéreo. É preciso, sem dúvida, melhorar e ampliar nossos aeroportos para a Copa e as Olimpíadas. Mas é mais que necessário melhorá-los já, para arcar com o crescente uso desse meio de transporte por parcelas cada vez mais amplas da população brasileira.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança.
Nas últimas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental. Porém, é preciso melhorar sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio.
Para isso, vamos ajudar decididamente os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré-escolas.
No ensino médio, além do aumento do investimento público vamos estender a vitoriosa experiência do ProUni para o ensino médio profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade.
Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso dos professores e da sociedade com a educação das crianças e dos jovens.
Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Consolidar o Sistema Único de Saúde será outra grande prioridade do meu governo.
Para isso, vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro.
O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura, com uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde.
Vou usar, sim, a força do governo federal para acompanhar a qualidade do serviço prestado e o respeito ao usuário.
Vamos estabelecer parcerias com o setor privado na área da saúde, assegurando a reciprocidade quando da utilização dos serviços do SUS.
A formação e a presença de profissionais de saúde adequadamente distribuídos em todas as regiões do país será outra meta essencial ao bom funcionamento do sistema.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
A ação integrada de todos os níveis do governo e a participação da sociedade é o caminho para a redução da violência que constrange a sociedade e as famílias brasileiras.
Meu governo fará um trabalho permanente para garantir a presença do Estado em todas as regiões mais sensíveis à ação da criminalidade e das drogas, em forte parceria com estados e municípios.
O estado do Rio de Janeiro mostrou o quanto é importante, na solução dos conflitos, a ação coordenada das forças de segurança dos três níveis de governo, incluindo – quando necessário – a participação decisiva das Forças Armadas.
O êxito dessa experiência deve nos estimular a unir as forças de segurança no combate, sem tréguas, ao crime organizado, que sofistica a cada dia seu poder de fogo e suas técnicas de aliciamento dos jovens.
Buscaremos também uma maior capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras, com o uso de modernas tecnologias e treinamento profissional permanente.
Reitero meu compromisso de agir no combate às drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra nossa juventude e infelicita as nossas famílias.
O pré-sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente, queridas brasileiras e queridos brasileiros, se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental.
A sua própria descoberta é resultado do avanço tecnológico brasileiro e de uma moderna política de investimentos em pesquisa e inovação. Seu desenvolvimento será fator de valorização da empresa nacional e seus investimentos serão geradores de milhares de novos empregos.
O grande agente dessa política foi e é a Petrobras, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética e do petróleo.
O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no pré-sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente. Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.
Queridos e queridas brasileiras e brasileiros,
Muita coisa melhorou no nosso país, mas estamos vivendo apenas o início de uma nova era. O despertar de um novo Brasil.
Recorro a um poeta da minha terra natal. Ele diz: “o que tem de ser, tem muita força, tem uma força enorme”.
Pela primeira vez o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser, uma nação desenvolvida. Uma nação com a marca inerente também da cultura e do estilo brasileiros – o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância.
Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e à matriz energética mais limpa do mundo, permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental.
O mundo vive em um ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática.
Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais. Meu governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e para a inovação como instrumento fundamental de produtividade e competitividade do nosso país.
Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico ou no campo do desenvolvimento econômico pura e simplesmente. Ele pressupõe o avanço social e a valorização da nossa imensa diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade.
Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais e expandindo a exportação de nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo.
Em suma: temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar investindo fortemente nas áreas mais modernas e sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural.
Justiça social, moralidade, conhecimento, invenção e criatividade devem ser, mais que nunca, conceitos vivos no dia a dia da nossa nação.
Queridas e queridos brasileiros e brasileiras,
Considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um país crescer aceleradamente, sem destruir o meio ambiente.
Somos e seremos os campeões mundiais de energia limpa, um país que sempre saberá crescer de forma saudável e equilibrada.
O etanol e as fontes de energias hídricas terão grande incentivo, assim como as fontes alternativas: a biomassa, (incompreensível) a eólica e a solar. O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e de suas imensas florestas.
Nossa política ambiental favorecerá nossa ação nos fóruns multilaterais. Mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais.
Defender o equilíbrio ambiental do Planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais.
Meus queridos brasileiros e brasileiras,
Nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo.
O meu governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo.
Seguiremos aprofundando o relacionamento com nossos vizinhos sul-americanos; com nossos irmãos da América Latina e do Caribe; com nossos irmãos africanos e com os povos do Oriente Médio e dos países asiáticos. Preservaremos e aprofundaremos o relacionamento com os Estados Unidos e com a União Europeia.
Vamos dar grande atenção aos países emergentes.
O Brasil reitera, com veemência e firmeza, a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao nosso continente.
Podemos transformar nossa região em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul e à Unasul. Vamos contribuir para a estabilidade financeira internacional, com uma intervenção qualificada nos fóruns multilaterais.
Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional.
Nossa ação política externa continuará propugnando pela reforma dos organismos de governança mundial, em especial as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Disse, ao início deste discurso, que eu governarei para todos os brasileiros e brasileiras. E vou fazê-lo.
Mas é importante lembrar que o destino de um país não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil do futuro será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ele hoje. Do tamanho da participação de todos e de cada um:
dos movimentos sociais,
dos que labutam no campo,
dos profissionais liberais,
dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores,
dos intelectuais,
dos servidores públicos,
dos empresários,
das mulheres,
dos negros, dos índios, dos jovens,
de todos aqueles que lutam para superar distintas formas de discriminação.
Quero estar ao lado dos que trabalham pelo bem do Brasil na solidão amazônica, no semiárido nordestino e em todos os seus rincões, na imensidão do cerrado, na vastidão dos pampas.
Quero estar ao lado dos que vivem nos aglomerados metropolitanos, na vastidão das florestas, no interior ou no litoral, nas capitais e nas fronteiras do Brasil.
Quero convocar todos a participar do esforço de transformação do nosso país.
Respeitada a autonomia dos Poderes e o princípio federativo, quero contar com o Legislativo e o Judiciário, e com a parceria de governadores e prefeitos para continuarmos desenvolvendo nosso país, aperfeiçoando nossas instituições e fortalecendo nossa democracia.
Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais; da liberdade de culto e de religião; da liberdade de imprensa e de opinião.
Reafirmo o que disse ao longo da campanha, que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração lutamos contra o arbítrio, a censura e a ditadura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intransigente dos direitos humanos, no nosso país e como bandeira sagrada de todos os povos.
O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são os elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa nação.
Eu e meu vice-presidente, Michel Temer, fomos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um governo onde capacidade profissional, liderança e a disposição de servir ao país serão os critérios fundamentais.
Mais uma vez estendo minha mão aos partidos de oposição e às parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte e do meu governo discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir deste momento sou a presidenta de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos.
Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para atuarem com firmeza e autonomia.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Chegamos ao final deste longo discurso. Queria dizer a vocês que eu dediquei toda a minha vida à causa do Brasil. Entreguei, como muitos aqui presentes, minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco não tenho ressentimento ou rancor.
Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.
Esta, às vezes, dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra:
“O correr da vida” – diz ele – “embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.
É com essa coragem que vou governar o Brasil.
Mas mulher não é só coragem. É carinho também.
Carinho que dedico a minha filha e ao meu neto. Carinho com que abraço a minha mãe que me acompanha e me abençoa.
É com esse imenso carinho que quero cuidar do meu povo, e a ele dedicar os próximos anos da minha vida.
Que Deus abençoe o Brasil!
Que Deus abençoe a todos nós!
E que tenhamos paz no mundo!



UM ANO NOVO PAI DÉGUA!
Merlânio Maia

Desejo um ano porreta
Deus lhe dê o que quiser
Peleja, trabalho, treta,
Os carim duma mulher
Desarrede o negativo
Abufele o positivo
Tenha o horizonte por régua
Num tenha medo da vida
Tenha o céu como medida
E um sucesso sem trégua!

Macho véi, felicidade,
É pra se pegar de unha
Num aceite a falsidade
Que é lá que a maldade acunha
Num se agonie no camim
Nem permita o farnizim
Num esmoreça, seje macho!
Corra o mundo, ande légua
E até na baixa da égua
Que o buraco é mais embaixo!

Vá anotano os seus querê
Tudo o que você deseje
Dipendure onde se vê
Leia pra que num fraqueje!
Seja um cão chupano manga
Teja de terno ou de tanga
Nunca espere vá buscar
Persistência atrai sucesso
Que vai fazer seu progresso
Quando menos se esperar

No amor num se arrelie
Nem só fique arrodiano
Num bata fofo, se avie
Se avexe e faça um bom plano
Mas fique limpo na nota
Num pegue qualquer marmota
Nem viva de fulerage
Cachorro é quem pega peba
Num viva de mistureba
Nas grota da vadiage

Amor é uma corralinda
Mas num seje um farofêro
Num peça pinico ainda
Seja o galo no terrêro
Pastore que a hora chega
Gata gosta é de mantêga
Dê seu bote devagar
Mas dêxe as unhas de fora
Que o seu cabresto se tóra
Antes do ovo gorar!

Comece esse novo ano
Sem os erros do passado
Chô mundiça, esse é o seu plano!
Chame a sorte pro seu lado
Muche as orêia e rebole
No mato tudo que é mole!
Grite do alto do nordeste
- Eu sou herdeiro de Deus
Os terém dEle, são meus
Oxente, cabra da peste!

Agora sim, que tás forte,
Seje feliz dicumforça!
Nosso Sinhô sendo o norte
Brinque, dance, grite e torça
Nada há de lhe derrubar
Comece logo a sonhar
Com a Paz e nunca dê trégua
O seu poeta ainda diz:
CABRA VÉI, SEJE FELIZ,
E UM ANO NOVO PAI DÉGUA!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Aprovação popular de Lula é a maior do mundo, aponta pesquisa Sensus


A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encerra oito anos de governo com 87% de aprovação, é a maior do mundo, afirmou nesta quarta-feira (29) o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade.
Segundo Andrade, Lula está à frente da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que tinha 84% de aprovação quando deixou o governo, e do ex-mandatário uruguaio Tabaré Vázquez, que teve 80% ao final do mandato.
O presidente da CNT também comparou o desempenho de Lula com líderes mundiais históricos, entre os quais o primeiro presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela (82% de aprovação), o ex-presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (66%), e o general francês Charles De Gaulle (55%).
Fernando Henrique Cardoso (PSDB), antecessor de Lula, tinha 26% de aprovação após dois mandatos, segundo levantamento da CNT/Sensus de 2001.
A avaliação da popularidade de Lula é resultado da 110ª edição da pesquisa CNT/Sensus, para a qual foram entrevistadas duas mil pessoas, em 136 municípios de 24 estados, entre os dias 23 e 27 de dezembro de 2010. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Segundo o levantamento, a aprovação do desempenho pessoal do presidente está em 87%, contra 80,7% da pesquisa anterior. Cerca de 10,7% dos entrevistados desaprovam o presidente e 2,4% não responderam.
Ainda que a aprovação pessoal e do governo Lula sejam recordes, a saúde é apontada como a única variável que piorou nos últimos seis meses por 37% dos entrevistados.
Em sentido contrário, a geração de emprego é apontada como índice que melhorou por 63,7% dos entrevistados. As políticas voltadas à educação e à segurança pública nos últimos também foram apontadas como positivas por 43,3% e 38,1%, respectivamente.
Do ponto de vista econômico, o Brasil "desenvolveu muito" para 63,9% daqueles que responderam à pesquisa, "desenvolveu um pouco" para 30,4% e "não desenvolveu" para 3,7%. Quando considerados os programas e políticas sociais, o governo "desenvolveu muito" para 57,8%, "desenvolveu um pouco" para outros 35,6% e "não desenvolveu" para 4,1%.
"A popularidade (de Lula e do governo) é impulsionada muito pela situação econômica, geração de empregos", afirmou Andrade.
 
VAMOS REVER O ULTIMO PRONUNCIAMENTO OFICIAL DO MELHOR PRESIDENTE QUE O BRASIL JÁ TEVE.